• Confira!

Minha mãe foi costureira desde os 9 anos de idade. Portanto, cresci vendo-a medir, cortar e costurar tecidos nobres e naturais.

Lembro-me do colorido, da variedade, do toque e do conforto térmico de alguns tecidos como seda pura, o linho e o algodão. Aqueles tecidos aguçavam vários dos meus sentidos. Talvez esteja aí o meu fascínio pela moda.

Mas, muito disto se perdeu no tempo depois que o poliéster e o acetato tomaram conta das fábricas de tecidos e destronaram os tecidos naturais, devido ao baixo custo de produção e venda final.

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O poliéster é um tecido sintético obtido através de qualquer fibra sintética, que teve seu lançamento em 1947, mas só na década de 50 sua produção foi feita em larga escala. Foi utilizado inicialmente em decoração e, posteriormente, em roupas.

O poliéster foi usado com sucesso na fabricação de todos os tipos de roupa por ter como características o fato de não amarrotar, não deformar e secar rapidamente. O poliéster não absorve água, não permite que o corpo respire, portanto é muito quente, além disso, é horrível de costurar, pois fica repuxando.

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O acetato também é um tecido sintético feito a partir da celulose obtida do algodão ou da polpa da madeira, assim como a viscose. Foi inventado pelos irmãos suíços Doutores Camille e Henri Dreyfus, em 1905, mas os fios de acetato só foram comercializados a partir de 1924, nos Estados Unidos.

Inicialmente utilizado como forro de roupas, o Acetato é um tecido muito macio e tem uma aparência luxuosa parecida com a seda (portanto, abra o olho para não comprar gato por lebre e pagar caro numa peça de acetato achando que é seda!). Possui uma excelente maleabilidade. Pode ser tingido e estampado com grande facilidade. Ele não absorve umidade facilmente, mas seca rapidamente.

O acetado, diferente do poliéster, é agradável e fresco. No entanto, nada que se compare ao toque e conforto térmico de um tecido natural.

Acompanhando os lançamentos de algumas coleções para o verão 2013, percebi que os tecidos naturais estão voltando: “para nossa alegria”! Principalmente a seda pura, que andava muito sumida das lojas.

Conheça um pouco sobre os tecidos naturais:

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 Seda: A sericultura deriva-se do bicho-da seda, mariposa que se alimenta exclusivamente das folhas de amoreira. O casulo do bicho-da-seda é um novelo de fio que atinge entre 700 e 1200 metros. Para desfiá-lo,utiliza-se água quente a 60o C a fim de dissolver a cola, chamada sericina. O fio então se solta fazendo com que a ponta seja encontrada. A partir daí, coloca-se a ponta numa máquina que enrola o fio e faz a meada. Juntando os fios de várias meadas faz-se um fio mais grosso, que é utilizado para a fabricação dos tecidos. Os tecidos de seda, além de suas qualidades de maciez e beleza, têm boa condutividade térmica, o que faz com que sejam quentes no inverno e frios no verão. Ao contrário das fibras químicas, como por exemplo o poliéster, o náilon e a viscose, os fios de seda apresentam algumas irregularidades que não podem ser consideradas como defeitos. Por exemplo, o tecido em shantung de seda pura é obtido através de fios com flamas (pontos mais grossos e caroços) bastante irregulares. Estes fios, denominados dupions, são obtidos quando duas lagartas formam um mesmo casulo, sendo um fio especial e raro, portanto com um preço bem elevado. (saiba mais aqui)

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• Algodão: Filamento sedoso que envolve as sementes do algodoeiro; O tecido é feito desse filamento. O algodão tem como característica principal sua maciez. É um tecido que resistente, durável e confortável para uso em decoração. Mas cuidado, o fio de algodão possui alta absorvição e costuma encolher quando molhado pela primeira vez. (saiba +)

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• Linho: Tecido formado através de fibra extraída da planta linácea. Se caracteriza por sua resistência e durabilidade e por isso é muito usado em decoração. O tecido com linho de qualidade amassa fácil por ser de fibra natural. (saiba +)

Para saber a composição do tecido que você está comprando, basta verificar a etiqueta de composição têxtil, uma exigência do INMETRO, que fica no avesso da roupa. Nesta etiqueta deverá constar o nome e CNPJ do fabricante, a composição do tecido e os cuidados, em símbolos universais (brevimente, em outro post), que deverão ser tomados com a mesma na hora de lavar e secar.

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Fotos: reprodução.

4 Replies to “A volta dos tecidos naturais!”

  1. É muito detalhe, né? Um tempo atrás vi um vídeo sobre acabamento das roupas e hoje sempre reparo nisso quando vou comprar. Já gostei muito de comprar tecido e mandar fazer roupa. Depois se você tiver contato de costureiras, pode fazer um post com dica e telefone… tô com vontade de voltar a fazer isso, escolher o molde e mandar costurar.

  2. Ótima matéria, Alessandra. A seda, pelo caimento e maciez, é agradável de se tocar. Reúne conforto, elegância e sensualidade. O algodão é macio e aconchegante. Também na cama, mesa e banho. Bom para vestir, dormir, sonhar. E a cambraia de linho…Ah, que saudade!Taí uma dica para os proprietários de terra: plantar algodão e amoreira. Num instantinho cresce e enche de bicho da seda. Assim, podemos nos vestir chiquérrimas.
    Também gosto da roupa sob medida. E exclusiva. Ando com vontade de voltar a criar e fazer minhas próprias roupas. Inda mais agora, com a volta dos tecidos naturais… Hoje fiz um ensaio. Depois conto o resultado.

  3. Parabéns, Alessandra, amante da beleza! Seu blog, Cada vez melhor. Muito interessantes as dicas e parcerias, agora também com a SOLIMOB. Assim, às dicas para se vestir bem, somam-se valiosas dicas para morar bem. É isso aí: beleza e conforto devem andar juntos no vestir e no morar.

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